quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O que dizer à minha alma


Estive pensando sobre o que dizer à minha alma, enquanto espero que ela acorde. Não cheguei à conclusão alguma sem ela, diante do fato de que é indissociável de mim. 
Mesmo que use a razão, a alma ainda estará envolvida. Mesmo que ache que apenas o corpo pode sofrer com os reflexos de algo externo, a alma ainda estará lá, sentindo em silêncio aquilo que não era pra ela, até conseguir gritar em lágrimas aquilo por que se calou.
Mesmo que a deixe ao descaso dos meus anseios, a alma não se retirará e repousará em outro canto, pois ela foi feita pra mim e não cabe em nenhum outro espaço. Por isso, quando me inquieto, ela se debate aqui dentro. Por isso, quando me alegro ela me faz esquecer das etiquetas. Por isso, quando me esqueço de cuidar dela, minha alma adoece, meus olhos se pintam em cinza, meus sentidos se perdem e eu deixo de ser e passo a subsistir.
A alma precisa de mais cuidado do que aquele que emprego aos meus cabelos, à minha pele, aos meus desejos. Por isso, não pode ser tocada por qualquer um. 
Ela não é como o ar que pode ser inspirado por qualquer pessoa e, logo depois, devolvido como se fosse a mesma coisa. Ora, sabe-se que nisso tudo há uma troca, uma mudança. O oxigênio é expirado como gás carbônico.
Caso a alma seja tocada de qualquer maneira, por qualquer um, ela poderá ser ferida, pra sempre; poderá ser transmutada em algo que jamais irá sê-la outra vez. 
Sei que algumas mudanças são necessárias, que precisa haver uma troca, mas essa troca deve ser adequada, tão cautelosa que não sirva para ferir, mas para fazer sorrir e crescer. 
A alma não é como um brinquedo que se usa como quer. Ela faz parte de nós, de um jeito tão profundo que sem ela seríamos uma carne morta sem expressão, sem sensações. Precisamos dela. Precisamos cuidar dela, para estarmos vivos.
O que estamos fazendo com o centro das nossas emoções? Temos destruído nossos sonhos, nossos rumos.Tudo isso porque não demos valor ao que realmente importa. 
Precisamos respeitar nossa vida como um todo e não apenas partes dela, balancear nossas vontades e necessidades, nossas alegrias e tristezas. Precisamos aprender que uma palavra mal proferida, volta, e, não vazia, cai em nossa alma e fere mais do que qualquer faca rasgando nossa carne. Precisamos aprender que as mentiras que ouvimos não entram por um ouvido e saem pelo outro. Elas, constantemente, se alojam na alma e ocasionam estragos sem proporções.
Precisamos entender que não se deve pensar meramente naquilo a que dizer à alma e sim naquilo a que fazer ou não a ela. Apenas pensar naquilo a que dizer à alma seria como arrumar desculpas para não respeitá-la e deixá-la em segundo plano. Sem alma não existimos aqui. Precisamos dela. Vamos cuidar bem agora, sem deixar pra tentar remendá-la depois. Há detalhes que não têm conserto.

5 comentários:

Daniele vieira coelho disse...

Lindas palavras e Parabéns amiga pelo seu trabalho.

Daniele vieira coelho disse...

Parabéns amiga pelas lindas palavras.

Daniele vieira coelho disse...

Parabéns amiga pelo seu trabalho.

Caio Balliaro disse...

Muito legal seu blog :)

Caio Balliaro disse...

Muito legal seu blog :)